Segurança contra incêndio para Indústria Cerâmica
A indústria cerâmica opera com fornos que não desligam, e essa continuidade define o cenário de risco. Argila e biscoito não são combustíveis, mas a planta convive com rede de gás natural ou GLP em alta pressão alimentando queimadores, atomizador e secadores, moldes de gesso, esteiras e prensas hidráulicas com óleo em circulação. Na esmaltação entram suspensões com veículo orgânico e aditivos. No fim da linha, papelão, paletes de madeira e filme estirável elevam a carga de incêndio justamente onde estão as saídas de expedição.
A dificuldade prática aparece na hora de descrever a planta. É comum que a rede de gás não tenha projeto atualizado, que a central de GLP esteja fora dos afastamentos da IT 28 ou que o laudo de estanqueidade nunca tenha sido emitido. Também pesa o crescimento por partes: um galpão de expedição anexado depois, um mezanino de laboratório, um depósito de embalagens improvisado ao lado do forno. Sem compartimentação entre a produção e o armazém de produto acabado, o dimensionamento dos sistemas sobe de forma que ninguém previu no orçamento.
A Elite AVCB mapeia a linha do preparo de massa até a expedição e separa as áreas por carga de incêndio real, apoiada na IT 14. A partir disso definimos onde bastam hidrantes e onde a compartimentação ou o chuveiro automático resolvem melhor, tratamos a central de gás pela IT 28 com laudo de estanqueidade e organizamos as saídas conforme a lotação por turno. O processo é protocolado no Via Fácil Bombeiros e acompanhado até a vistoria, com a nossa equipe presente na fábrica no dia.
Classificação usual: I-1 na área de forno e prensagem, evoluindo para I-2 na esmaltação e na expedição, com central de GLP ou gás natural como área de risco. A divisão exata é definida no processo, conforme a atividade real, a carga de incêndio e a área da edificação, nos termos do Decreto Estadual 69.118/2024.
Riscos típicos de Indústria Cerâmica
O que o Corpo de Bombeiros observa com mais atenção neste tipo de operação:
- Rede de gás natural ou GLP pressurizada percorrendo a linha até queimadores de forno e secador
- Atomizador e secadores em temperatura elevada próximos a esteiras e estruturas combustíveis
- Prensas hidráulicas com óleo em circulação sob pressão em ambiente quente
- Esmaltes e aditivos com veículo orgânico manuseados na cabine de esmaltação
- Papelão, paletes de madeira e filme estirável concentrados na embalagem e na expedição
Medidas de segurança normalmente exigidas
- Central de GLP e rede de gás conforme a IT 28, acompanhadas de laudo de estanqueidade
- Hidrantes pela IT 22 com reserva técnica dimensionada para a área total dos galpões
- Detecção e alarme pela IT 19 nas salas elétricas, no laboratório e no armazém de produto acabado
- Extintores pela IT 21 compatíveis com risco elétrico, óleo hidráulico e material celulósico
- Saídas de emergência pela IT 11 dimensionadas pela lotação do turno mais cheio
- Brigada de incêndio pela IT 17 com escala cobrindo a operação noturna dos fornos