Segurança contra incêndio para Fiação
Na fiação, o risco não está guardado em tambores: ele circula pelo ar. A abertura de fardos, a batedeira e a carda liberam pó de fibra que se deposita em toda superfície alta e permanece em suspensão perto das máquinas. Basta um mancal aquecido, um corpo estranho metálico entrando com o algodão ou uma faísca elétrica para iniciar um foco que corre pela camada de poeira antes que alguém perceba. Some-se o fardo prensado, que queima internamente e resiste ao jato de água, e o cenário exige projeto pensado para esse comportamento.
Os processos de fiação costumam emperrar por três motivos recorrentes. Primeiro, o depósito de fardos ocupa área bem maior do que a declarada, o que muda a carga de incêndio e a exigência de sistemas. Segundo, a limpeza e a exaustão do pó são tratadas como assunto de produção e não aparecem no projeto, embora sejam determinantes para a vistoria. Terceiro, painéis elétricos e motores instalados dentro da área empoeirada não têm laudo elétrico que sustente a condição encontrada pelo vistoriador.
A Elite AVCB dimensiona a fiação a partir do inventário real de fibra em processo e em estoque, define a divisão do grupo I pela IT 14 e projeta hidrantes, chuveiros automáticos e detecção com essa base. Também organizamos o laudo das instalações elétricas e o programa de brigada, que nesse segmento tem papel prático no combate inicial. O protocolo é feito pelo Via Fácil Bombeiros e acompanhamos cada exigência até a emissão da licença.
Classificação usual: I-2 ou I-3 conforme a carga de incêndio, com o depósito de fardos e de fio acabado avaliado como J-2 ou J-3. A divisão exata é definida no processo, conforme a atividade real, a carga de incêndio e a área da edificação, nos termos do Decreto Estadual 69.118/2024.
Riscos típicos de Fiação
O que o Corpo de Bombeiros observa com mais atenção neste tipo de operação:
- Poeira de fibra e algodão em suspensão e depositada, com potencial de ignição por faísca elétrica ou superfície aquecida
- Corpos estranhos metálicos entrando com o fardo e gerando centelha na abertura e na batedeira
- Mancais e motores superaquecidos em máquinas de operação contínua
- Fardos prensados com combustão interna, difíceis de extinguir e de rescaldar
- Dutos e filtros de exaustão de pó atuando como caminho de propagação entre setores
Medidas de segurança normalmente exigidas
- Chuveiros automáticos pela IT 23 na produção e no depósito de fardos, com reserva de incêndio calculada para o maior risco
- Hidrantes conforme IT 22, com mangueiras e esguichos posicionados para alcançar as pilhas de fardo
- Detecção precoce e alarme pela IT 19, incluindo as áreas de abertura e cardagem
- Laudo das instalações elétricas cobrindo painéis e motores expostos ao pó de fibra
- Compartimentação do depósito de fardos em relação à produção, segundo a IT 09
- Brigada de incêndio pela IT 17 treinada para combate inicial em material fibroso